Relé no circuito do farol

Introdução

Este tutorial dedica-se a instalação de um relé no circuito dos faróis de uma Land Rover Defender ano 2002, fazendo uso de uma fiação nova e paralela a original. Todas as alterações aqui propostas poderão ser desfeitas sem muito esforço, trazendo de volta a originalidade o circuito se necessário.

O procedimento aqui proposto não é exaustivo, ou seja, poderão existir outras formas de instalar o relé no circuito dos faróis. Sinta-se à vontade para customizar esse procedimento conforme sua vontade. Cabe salientar que nem todas as Defender’s são iguais, portanto os procedimentos podem variar de acordo com o ano do jipe. Desse modo, pesquise bastante antes de comprar qualquer material que porventura possa não ser usado depois.

Por que instalar um relé no circuito do farol?

No caso das Defender’s, um dos possíveis problemas com o sistema dos faróis é o derretimento da chave de acionamento, devido a corrente que passa através da mesma. Outro problema comum é a queda na voltagem que chega até as lâmpadas, fazendo com estas fiquem menos eficientes. (veja mais sobre em: https://youtu.be/6RYcSJwltdo)

A instalação de um relé duplo, específico para faróis automotivos, juntamente a um novo chicote para alimentação das lâmpadas reduz imensamente a corrente que passa na chave de acionamento, ao mesmo tempo em que aumenta a voltagem que chega as lâmpadas. Dessa forma, há um ganho em vida útil da chave e em eficiência na iluminação proporcionada pelos faróis.

Para quê serve o relé?

Na aplicação aqui descrita, o relé tem a função de controlar uma corrente elétrica alta (que vai para os faróis) a partir de uma corrente elétrica baixa (que vem da chave de acionamento). E considerando que uma nova fiação dedicada aos faróis será instalada, o chicote original do circuito dos faróis da Defender passa a operar com uma corrente muito baixa, reduzindo as temperaturas e aumentando a vida útil de todos seus componentes.

Dito isso, há inúmeras formas de fazer a instalação de um (ou múltiplos) relés no circuito dos faróis, variando desde a localização do relé, pontos de origem dos circuítos, caminho dos cabos, etc. Assim, pesquise bastante para ter certeza de que o procedimento aqui descrito é o melhor para o seu caso.

Materiais utilizados

A relação de materiais utilizados é apenas uma sugestão, pois a quantidade de materiais varia conforme a escolha do local do relé e dos caminhos dos cabos. Na dúvida, analise a situação da sua instalação para evitar desperdício. A metragem de cabos listada abaixo foi estimada para garantir uma boa sobra de material. A principal dica no que tange os materiais é: tente comprar absolutamente cada um dos componentes abaixo da melhor qualidade/marca possível. Não economize! Não compre os materiais na primeira loja, compare não apenas os preços, mas também a qualidade e acabamento de cada um dos itens abaixo:

  • Um relé duplo para faróis automotivos;
  • Um par de soquetes fêmea para lâmpadas H4;
  • 6 metros de cabo elétrico multipolar 3 vias 2,5 mm**;
  • 4 metros de cabo elétrico multipolar 2 vias 2,5 mm**;
  • 2 metros de cabo elétrico 4 mm na cor preta**;
  • 1 metro de cabo elétrico 4 mm na cor vemelha**;
  • Conduítes corrugados automotivos para proteção dos cabos;
  • Dois terminais de prensagem tipo espada (machos) para conectar no soquete da lâmpada original;
  • Terminais de prensagem tipo olhal para conectar os cabos ao relé e ao positivo e negativo do jipe;
  • 1 barra sindal de 3 vias onde caibam dois fios 4 mm (para fazer um “jump”);
  • Fita isolante (apenas para fechar os conduítes corrugados);
  • Cintas plásticas tipo Hellermann para fixar os cabos pelo caminho escolhido;
  • Conduíte termo retrátil para fazer os acabamentos dos conectores;
  • Um par de parafusos sextavados, porcas e arruelas para fixar o relé.

** Varia conforme o local escolhido para o relé e/ou caminho escolhido para passar a fiação. Caso não encontre a bitola especificada, compre a bitola imediatamente superior.

Ferramentas utilizadas
  • Ferramentas básicas para eletricidade: alicates, chaves de fenda/philips, estilete;
  • Furadeira e brocas para furos de fixação do relé;
  • Ferro de solda, estanho e pasta de solda.

Procedimentos

Esquema geral

Abaixo é apresentado o esquema geral do relé e do novo chicote dos faróis:

Diagrama do circuito
Diagrama do circuito
Escolha do local do relé

O local escolhido para o relé, na minha instalação, foi embaixo do assento do carona junto a caixa de fusíveis secundária da Defender. Penso eu que se a Land Rover instalou parte dos fusíveis ali, deve existir algumas boas razões: facilidade de acesso, proteção para calor e umidade… Sem falar na vantagem de deixar os componentes elétricos reunidos em um lugar. A bitola e quantidade de cabos exige um certo espaço para ser instalada, mas nada que não caiba no local escolhido com sobra. Nesse ponto é que fiz a única alteração que não pode ser desfeita: dois furos no assoalho para fixar o relé, conforme mostra a foto abaixo:

Localização do relé
Localização do relé
Alimentação do relé com corrente alta

Iniciando com a alimentação do relé com corrente alta, optei por “puxá-la” dos locais mais adequados possíveis, sem fazer nenhum tipo de corte ou emenda na fiação original do jipe. Observando os cabos que partem da bateria, logo é encontrado um ponto de massa (negativo) preso ao chassi por um parafuso sextavado. Já para o positivo há uma espera na própria caixa de fusíveis secundária que pode ser aproveitada. A foto abaixo ilustra as duas escolhas:

Pontos utilizados para alimentação do negativo (esq.) e do positivo (dir.)
Pontos utilizados para alimentação do negativo (esq.) e do positivo (dir.)

Portanto, para alimentar o relé com corrente de alta, basta usar um terminal do tipo olhal no tamanho apropriado na ponta dos cabos 4 mm. Obviamente escolhe-se a cor preta para o negativo a e vermelha para o positivo. Recomendo a proteção do cabo negativo, que vai cruzar o chassi de um lado a outro, com conduíte corrugado. Para o positivo isso não é necessário, visto que ele fica inteiramente sob o assento do carona.

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Terminais negativo (esq.) e positivo (dir.) já aparafusados com uso de terminais do tipo olhal.

Conforme mostrado no esquema, o fio negativo não se conectará diretamente ao relé, mas sim a um sindal de 3 vias que servirá como “jump” para também servir de alimentação negativa para as lâmpadas. Esse procedimento tem por objetivo fornecer uma alimentação negativa direta para as lâmpadas, eliminando qualquer queda de voltagem nas mesmas. O uso do sindal aparafusado, e não de soldas ou conexões sofisticadas, facilita o conserto em qualquer situação, pois basta uma simples chave de fenda para intervir no circuito. Na foto abaixo um detalhe do “jump” instalado:

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Detalhe do “jump”
Instalação do chicote paralelo das lâmpadas

O chicote paralelo das lâmpadas é feito com o cabo multipolar de 3 vias de 2,5 mm, sendo uma via para o negativo, uma para o positivo do farol alto e outra para o positivo do faról baixo. Numa das pontas será instalado o soquete fêmea para lâmpada H4, enquanto na outra ponta os positivos receberão um terminal de prensagem tipo olhal para ser aparafusado no relé e o negativo será aparafusado diretamente no sindal usado para “jump”.

O esquema para ligação do soquete H4 pode ser visto na figura abaixo:

soquete
Esquema de ligação das lâmpadas H4

A cor das vias (ou fios) do cabo multipolar devem ser anotados e usados de maneira idêntica nos dois faróis. A cor da via escolhida também deve ser atentamente observada no ligação junto ao relé, para não haver nenhum tipo de curto circuito! Geralmente nos relés existe a legenda “Farol 1” e “Farol 2”, podendo ser escolhidas livremente para ligar as duas vias (farol direito e esquerdo) da luz alta e baixa.

Para ligar as pontas opostas aos soquetes no relé, foram usados terminais de prensagem do tipo olhal. Após a prensagem, foi utilizado conduíte termo retrátil para proteção das partes expostas dos terminais.

DICA: alguns soquetes são vendidos com um pedacinho de fio já prensado aos terminais, sendo necessário efetuar uma emenda nesse pedacinho de fio. Recomendo “desprensar” os terminais com um alicate de bico, refazendo a prensagem diretamente no cabo multipolar. Eu também optei por aplicar um pouco de solda (estanho) para prevenir oxidação e deixar tudo mais firme.

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Foto do suporte do farol, mostrando os dois soquetes H4 agora existentes.
Instalação do chicote de controle do relé

Para controlar o relé e acionar os faróis altos ou baixos usando o comando original da Defender, é feito um “truque” bem simples: um cabo multipolar de duas vias é conectado a um dos soquetes originais (que não serão mais usados), sendo uma via ligada no pólo “alto” e outra no pólo “baixo”, usando os dois terminais de prensagem espada macho.

Depois as pontas opostas são conectadas ao relé onde é indicado “Comando 1” e “Comando 2”, observando atentamente para que seja respeitada a lógica escolhida no circuito de corrente alta: se ligou os faróis altos no “Farol 1”, o “Comando 1” deve ser ligado ao pólo alto do soquete original do farol. Sacou?

Abaixo uma foto dos cabos já conectados ao relé, observe as fitas coloridas usadas para indicar as vias dos faróis alto e baixo:

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Detalhe das conexões do relé

 

Finalizando…

Os cabos multipolares já possuem uma capa externa de proteção, mas é possível deixar tudo ainda mais seguro com o uso de conduíte corrugado automotivo. Geralmente esses conduítes possuem um corte ao longo de toda sua extensão, permitindo a colocação de cabos no seu interior. Eu usei em todos os cabos, fazendo o arremate de fechamento com fita isolante em abundância.

Estude com antecedência o caminho que os cabos farão, prevendo os pontos de fixação utilizados. Com um pouco de criatividade é possível usar furos e estruturas existentes pelo caminho para fazer uma fixação super segura dos mesmos. Já a passagem dos cabos para o interior da caixa sob o assento do carona pode ser feita usando as esperas originais que existem nas coifas de borracha: basta cortar a ponta e passar os cabos, como na foto abaixo:

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Detalhe da passagem dos cabos para o interior da caixa

DICA: após passar os cabos e fazer a ligação no relé é possível usar silicone (melhor se for sikaflex) para vedar as frestas na coifa de borracha, reduzindo o ingresso de poeira e água.

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Vista geral da caixa sob o banco do carona após a instalação do relé
Resultados

Após a inclusão do relé e instalação de um novo chicote para os faróis, é nítida a melhora no brilho das lâmpadas. Mas para comprovar os resultados eu fiz alguns testes usando um multímetro:

  1. Voltagem nas lâmpadas, com circuito original:
    • Baixas: 12,4 v
    • Altas: 12,15 v
  2. Voltagem nas lâmpadas após instalação de relé e chicote:
    • Baixas: 14,05 v
    • Altas: 14,0 v
  3. Corrente na chave dos faróis após instalação** de relé e chicote:
    • 0,17 A

**Infelizmente eu esqueci de medir a corrente antes da instalação do relé e chicote…

Abaixo algumas fotos das passagens dos cabos pelo chassi e caixa da roda:

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Cabos do chicote do farol a direita, sobre a caixa da roda
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Chicotes sobre a travessa do chassi, logo atrás do tambor do freio de mão

2 respostas para “Relé no circuito do farol”

  1. Excelente Post, é muito bem explicado. Se for contar o tempo de trabalho, fazendo com calma e cuidado, dá para fazer numa manhã caprichado. As metragens dos fios é bom ver primeiro por onde pretende passar cada fio, assim compra exatamente o que precisa. Com esse post fica muito fácil de fazer o circuito todo. Uma dica… lave a viatura por baixo antes de começar a trabalhar, assim você vai evitar de “comer” terra quando for passar os fios e conduítes.

  2. DIY muito bom, de fácil compreensão e aplicação. Caso haja alguma dificuldade, atente-se bem ao diagrama apresentado. Concordo com o Xande Fabris em conferir a metragem dos cabos e os locais por onde passarão, antes de comprá-los, pois dependendo do local escolhido se faz necessário uma medida maior. Quanto aos soquetes, optei por seguir a dica do Gustavo Ullmann e comprar os de baquelite, que já vêm com fiação. Caso opte pela compra destes, aconselho também a compra de novos terminais idênticos aos que vão dentro do soquete, pois na “desprensagem” dos fios os terminais podem acabar sendo danificados. Também seguindo os conselhos do Gustavo, para deixar o sistema mais robusto, optei por trocar os parafusos originais do relé por outros, sextavados tam. M8, com as respectivas porcas e arruelas, o que requer o alargamento dos furos com furadeira. Locais de compra do material: Severo Roth, Jolodi, Stolzenberg e Altec.

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