Eliminando o conector elétrico da solenóide da bomba injetora.

Os motores 300 Tdi são notáveis exemplares de uma já encerrada era de propulsores diesel 100% mecânicos, com zero eletrônica, extremamente simples, robustos, confiáveis (com algumas “ajudinhas”, é claro) e capazes de suportar consideráveis desaforos mecânicos, de combustível ou condução. O “sistema elétrico” de um 300 Tdi se resume ao motor de partida, as velas de aquecimento e a solenóide da bomba injetora.

Um resumo do processo de partida de um motor 300 Tdi, do ponto de vista elétrico, pode ser o seguinte:

  1. Ao se girar a chave de ignição até a posição II todos os sistemas elétricos da Defender se tornam ativos e as velas de aquecimento da câmera de combustão são acionadas por um determinado intervalo para facilitar a partida do motor. Ao mesmo tempo a solenóide da bomba injetora é energizada, levantando um pino (ou êmbolo) que libera o fluxo de diesel até a bomba injetora e posteriormente até os bicos injetores/motor;
  2. Após a luz de aviso das velas se apagar no painel (embora estas continuem funcionando por mais alguns segundos) é possível girar a chave até a posição III, o que aciona o motor de arranque por alguns segundos e faz o motor funcionar. Ao soltar a chave esta volta para a posição II e o motor permanece funcionando até que a chave seja girada para a posição I ou 0;
  3. Ao girar a chave para a posição I ou 0 a solenóide da bomba injetora é desenergizada, fazendo com que o pino desça e bloqueie o fluxo de combustível. E é apenas isso que faz todo o motor parar de funcionar.

Como visto acima não há nenhum sensor, ECU, ou nenhum componente eletrônico no motor que interfira em seu funcionamento. Tudo que existe é um sistema elétrico extremamente simples, o que não significa que não existam problemas ou que nada possa ser melhorado.

Possivelmente por uma questão de facilitar o processo de montagem, o fio positivo que alimenta o solenóide se conecta a este por um terminal de encaixe do tipo espada. Contudo este terminal está sujeito a mau contato por oxidação e/ou por trepidação causada pelo motor ou pelas condições da estrada. Em alguns casos raros o fio usado era curto ou foi inadequadamente instalado, causando mal contato conforme a movimentação do motor em função da aceleração. Todos os casos de mal contato nesse conector resultam em motores que “cortam”, “engasgam” ou “falham” por alguns poucos instantes e depois voltam a funcionar normalmente, geralmente com o veículo em movimento.

Os casos de motores que não ligam ou não desligam estão mais associados com problemas na própria solenóide e/ou no comutador de ignição. Contudo existem outros itens que devem ser verificados nessas situações para um diagnóstico preciso.

Desse modo, este tutorial trata da eliminação do conector do tipo espada existente entre o fio positivo e a solenóide da bomba injetora, onde em seu lugar é colocado um terminal do tipo olhal que é aparafusado diretamente na solenóide. Este procedimento elimina a ocorrência de mal contato por vibração e reduz a quase zero a chance de mal contato por oxidação.

O procedimento é bastante simples, sendo mais ou menos o seguinte:

  1. Desligue o cabo negativo da bateria (boa prática em qualquer serviço que envolva a elétrica da Defender);
  2. Com uma chave 8 mm, solte a porca que prende o terminal macho na solenóide da bomba injetora. A posição de trabalho é bem chatinha, mas nada impossível;
  3. Com um alicate corte o fio bem rente ao terminal fêmea do conector;
    • Caso o fio seja curto e/ou você prefira prensar o terminal do tipo olhal com “mais espaço”, é possível colocar uma extensão de fio de alguns centímetros, onde eu recomendo a utilização de um sindal na emenda com a ponta original do chicote.
  4. Com um alicate ou estilete bem afiado, desencape a ponta do fio e prense esta em um terminal do tipo olhal de tamanho apropriado para ser aparafusado na solenóide;
  5. Limpe a solenóide com spray “limpa contato elétrico” e uma escovinha ou palha de aço, concluindo o a limpeza com uma generosa dose de WD-40 para manter a água e a oxidação bem longe;
  6. Encaixe o terminal tipo olhal na solenóide e aparafuse a porca novamente em seu lugar;
  7. Está pronto!

Abaixo algumas fotos da localização do conector da solenóide e dos conectores utilizados:

Porca que fixa o olhal na solenóide da bomba injetora (foto após a troca do conector original pelo olhal)
No detalhe.
Na parte superior o conector espada tipo macho e fêmea original e, abaixo deste, os terminais do tipo olhal que podem ser usados em seu lugar. Eu particularmente prefiro terminais como os do meio, pois me parecem mais robustos e resistentes a corrosão.