Troca de óleo dos diferenciais e upgrade nos bujões

A troca de óleo dos diferenciais deve ocorrer a cada 2 anos ou 20.000 km, contudo é sempre recomendada sua inspeção após passar por águas mais profundas para garantir que o mesmo não esteja contaminado com água. A especificação correta do óleo é API GL-5 SAE EP 80W90, variando a quantidade conforme o modelo do diferencial: Rover, Salisbury e/ou Wolf. 

A troca do óleo de qualquer modelo de diferencial é extremamente simples, sendo um dos tipos ideais de serviço para se iniciar nos DIY. As ferramentas são mínimas, sendo relacionadas abaixo:

  1. Chave com encaixe de 1/2 polegada para abrir e fechar os bujões;
  2. Escovinha de aço para limpeza do entorno dos bujões;
  3. Micro óleo tipo WD40 para limpeza do entorno dos bujões;
  4. Recipiente para coletar o óleo após abrir o bujão de dreno;
  5. Recipiente para transportar o óleo até um local adequado para descarte;
  6. Loctite 567 – veda rosca líquido. Opcional, mas muito recomendável;
  7. 1,5 metro de mangueirinha flexível transparente;
  8. Barra de alavanca de 1 metro, apenas se o bujão de dreno estiver muito preso;
  9. Torquímetro. Opcional se disponível.
Limpeza do entorno dos bujões e drenagem do óleo

Parte crucial de toda manutenção mecânica é a limpeza dos componentes para evitar qualquer tipo de contaminação. No caso dos diferenciais o entorno dos bujões deve ser muito bem limpo para facilitar sua remoção e recolocação e impedir que areia, pó ou qualquer outro detrito caia dentro do diferencial.

Para fazer isso eu gosto de dar um generoso banho de micro óleo, fazendo uma limpeza com escovinha de aço e por fim secando tudo com um trapo. Repito o processo até ficar satisfeito com o resultado. Também gosto de limpar o fio das roscas usando uma ferramenta de ponta afiada para remover qualquer resquício de veda rosca.

Dando um banho de micro óleo
E depois de escovar e secar
Abrindo o bujão de dreno

Eventualmente os bujões podem ser bem difíceis de soltar, dados os sucessivos aquecimentos e resfriamentos que sofrem, o tempo que passam sem serem removidos e a “mão” de quem deu o último aperto. Não tive dificuldades para remover o bujões do diferencial dianteiro, contudo o bujão de dreno do diferencial traseiro não quis sair nem com uso da alavanca de 1 metro.

Cabe destacar que quando eu uso a alavanca de 1 metro eu nunca uso força excessiva, pois as forças envolvidas podem acabar quebrando algo, como um fio de rosca. Então tive que adotar uma abordagem um pouco mais científica… A técnica, que já usei no bujão de dreno do óleo do câmbio, primeiramente necessita que o veículo esteja quente (após um retorno de viagem por estrada, por exemplo), então se procede com a limpeza do entorno do bujão e depois se encosta um ou dois cubos de gelo até que estes derretam.

Rapidamente após derreter o segundo cubo de gelo no bujão, o que não leva muito tempo, eu utilizo a chave juntamente com a alavanca de 1 metro. Dessa vez o bujão cedeu com um leve estalo. Perfeito! Agora é só posicionar a bandeja para coletar o óleo e terminar de abrir o bujão.

Bujão emperrado
Dando um “gelo” no bujão, com o diferencial quente depois de pegar estrada
Por fim drenando o óleo
Upgrade dos bujões

Os bujões de dreno dos diferenciais da Defender podem ser trocados por versões magnéticas, cuja grande vantagem é remover do óleo a limalha que se forma devido ao desgaste natural dos componentes e/ou pedaços de metal originados por problemas ou esforço excessivo do diferencial. A remoção dessas partículas de óleo só traz benefícios para a vida útil do óleo e do diferencial como um todo.

Os bujões que eu usei são feitos em aço com duplo banho de cromo, com medida de rosca idêntica a original e com um imã super forte de neodímio. Os bujões podem ser adquiridos diretamente do fabricante, através do e-mail: tadeuelieser@gmail.com

A recolocação do bujão de dreno é feita somente após algumas horas, para dar tempo de todo óleo velho escorrer. Depois de limpar meticulosamente o bujão eu aplico Loctite 567 veda rosca líquido, que previne vazamentos e engripamento dos bujões. Também uso torquímetro para aplicar torque de 30 Nm.

Encaixe de 1/2 polegada
Bujão original e sua versão magnética
Imã de neodímio super forte!
Completando o óleo

Para completar o diferencial com óleo novo é possível usar um funil lateral, um pedaço de garrafa PET ou então improvisar uma bomba com mangueirinha flexível transparente. Este último, que é o método que eu uso, só necessita fazer dois furos pouco menores do que o diâmetro da mangueira na tampa de uma das embalagens de óleo, depois se coloca um pedaço curto de mangueira que vai até o fundo da embalagem e outro pedaço longo que mal passa da tampa.

Depois de colocar a tampa na embalagem basta assoprar pela mangueira longa que o óleo irá sair pela mangueira curta. Não é rápido, mas é preciso e não faz sujeira. Deve-se colocar óleo até que este atinja o nível do bujão superior e escorra.

Óleo utilizado
Preparando a tampa e as mangueiras
“Sistema” pronto!
E funcionando… 
Fechando o bujão superior

Nos diferenciais modelo Salisbury é preciso especial cuidado na hora de recolocar o bujão superior, pois a tampa do diferencial é uma latinha de metal relativamente fina e a rosca do bujão é cônica. Ou seja, se apertar demais o bujão força a latinha até cair para dentro do diferencial! E acredite, isso é bem fácil de acontecer!

Pensando nisso foi desenvolvido um bujão que possuí um flange, que impede este de cair para dentro do diferencial. Além disso o flange aumenta a área de contato do veda rosca, dificultado a ocorrência de vazamentos. No bujão superior eu também utilizo o Loctite 567 veda rosca líquido, assim como 30 Nm de torque.

Aplicando o Loctite 567. Note o flange na base do bujão
Loctite aplicado em toda a volta e pronto para recolocar
Pronto! 

Por fim cabe a óbvia e evidente recomendação de que TODO E QUALQUER óleo ou fluído removido deve ser adequadamente descartado. Use as embalagens que sobraram para armazenar e transportar o óleo velho até um posto ou oficina para a correta destinação deste.