Fusível queimado…

A regra número um ao mexer em qualquer componente elétrico de um veículo é: “desligue o cabo negativo da bateria”. Assim é evitado qualquer tipo/tamanho de curto circuito no sistema elétrico, o que não é difícil de acontecer considerando que quase todos componentes metálicos de um veículo são pontos de massa (pólo negativo).

No meu caso, ao reinstalar a lâmpada de cortesia da Defender após instalar o rádio VHF no teto, fechei um minúsculo curto com a chave que estava usando, com algumas pequenas faíscas e nada mais. Considerando que era uma sistema secundário (luz de cortesia) e que “era só reinstalar a lâmpada” eu descumpri a regra número um. Achei que não haveria consequências, mas logo no primeiro uso da Defender constatei que o rádio não ligava e que o hodômetro parcial zerava sempre que desligava o motor.

Um fusível queimado foi a primeira coisa que pensei…

Fusíveis em sistemas automotivos tem a função de proteger os cabos elétricos de cargas superiores as suas capacidades. A capacidade de um cabo varia conforme sua bitola e tipo de isolamento, se essa capacidade for extrapolada por mais do que um piscar de olhos o cabo pode “fritar”, afetando o cabo e os equipamentos ligados neste circuito.

É para prevenir esse tipo de problema que são utilizados fusíveis em todos os circuítos de um veículo, sendo a função de um fusível abrir (ou queimar) antes dos cabos. É mais fácil e barato trocar um fusível do que parte da fiação instalada em um veículo.

Todos os diferentes circuitos elétricos de um veículo são dimensionados pelo fabricante para suportar determinados componentes (faróis, som, alarme, luzes, etc), onde são considerados o consumo individual e combinados desses componentes para estabelecer a bitola e fusível correto para cada circuíto, com uma pequena margem de tolerância. Assim, deve-se evitar a todo custo “pendurar” novos acessórios nos circuitos elétricos originais dos veículos, devendo estes serem instalados em um circuíto elétrico paralelo.

Acessórios “pendurados” no circuíto original podem acarretar em consumos acima do previsto no dimensionamento do circuito, fazendo o fusível abrir (queimar). Algumas pessoas, após cansar de trocar os fusíveis por equivalentes, recebem a “brilhante” dica de colocar um fusível de maior capacidade… Trocam um fusível de “X” amperes por outro 5 ou 10 amperes maior, só esquecendo que os cabos elétricos permanecem os mesmos… Dependendo do que foi “pendurado” no circuito, do próprio circuito, do uso combinado de outros equipamentos no mesmo circuito e da capacidade do “novo” fusível, é questão de tempo até queimar os cabos, os equipamentos e/ou o veículo todo. Prejuízo na certa!

Voltando a questão do pequeno curto circuito e suspeita de fusível queimado da minha Defender, parti para o diagnóstico do problema. A primeira coisa a saber é que algumas Defender’s possuem duas caixas de fusíveis, uma sob o banco do carona e outra abaixo do painel em frente a alavanca do câmbio.

As caixas de fusíveis da Defender após 1999
Caixa de fusíveis sob o banco do carona
Caixa de fusíveis sob o painel
Testando os fusíveis com multímetro

Embora a Defender seja um veículo eletricamente simples, beirando quase o tosco em um modelo SW, um multímetro simples é uma ferramenta extremamente útil para fazer diagnósticos. Um multímetro permite verificar com precisão e simplicidade a carga da bateria, testar um alternador, fusíveis, queda de tensão, entre outros, portanto é sempre bom carregar um multímetro (prefira os digitais) dentro da Defender.

Ao testar um fusível queremos verificar se a corrente elétrica passa através deste (fusível “fechado” / não queimado) ou se não passa (fusível “aberto” / queimado). Primeiramente, para fazer esse teste não é necessário remover o fusível de seu lugar, pois os fusíveis automotivos possuem uma espécie de “tomada” de testes externa.

Em relação a função do multímetro, duas delas podem servir para testar os fusíveis: 1- teste de continuidade ou 2- medida de resistência. Em ambas funções o procedimento consiste em encostar as pontas de prova nas “tomadas” externas do fusível: no teste de continuidade haverá um sinal sonoro (no meu modelo de multímetro) e no de resistência haverá uma leitura entre 0 e 1, onde 0 é sem resistência (corrente flui sem perdas de uma ponta de prova para a outra) e 1 é resistência absoluta (a corrente não flui entre as pontas de prova).

Assim, o que queremos ao testar um fusível é um bip sonoro ou um valor igual a zero. Qualquer situação diferente significa um fusível queimado.

Encostando as pontas de prova no fusível, no modo de resistência: fusível OK.
E no fusível queimado!
Apenas para ilustrar o fusível “aberto” ou queimado: cortei a capa plástica para expor o filamento que abre quando a carga elétrica ultrapassa o limite do fusível. Assim que a fiação é preservada…
Reparando o fusível

Trocar um fusível queimado por um novo não tem mistério nenhum, remova um e coloque outro no lugar. Apenas não esqueça das seguintes coisas:

  • Se um fusível queimou, antes de trocá-lo é preciso descobrir e reparar a causa do curto circuito;
  • Sempre substitua um fusível por um de mesma capacidade (indicado pela cor e pelo número gravado no fusível).