Trocando o fluído de freio

Cuidados!

O sistema de freio é item de segurança! Extremo cuidado é necessário ao proceder intervenções no mesmo. Todos os procedimentos descritos aqui são sugestões, devendo ser conferidos no manual de oficina. Em caso de dúvidas procure um mecânico de sua confiança.

Toda e qualquer intervenção feita por você em seu veículo é de sua exclusiva responsabilidade.

Fluído de freio é tóxico! É necessário extremo cuidado no seu manuseio! Proteja pele e olhos contra respingos! Muito cuidado também com a pintura do veículo, pois fluído de freio irá manchar/estragar permanentemente a pintura se não for imediatamente limpo com água se derramado.

Introdução

A Defender possui um sistema de freios a disco hidráulicos assistidos por um servo freio a vácuo. Uma maneira resumida para descrever o sistema pode ser a seguinte: ao pisar no pedal de freio o servo freio faz com que a força aplicada no cilindro mestre de freio seja aumentada. O cilindro mestre por sua vez “empurra” fluído hidráulico através das linhas de freio (canos e flexíveis) até as pinças de freio, onde a pressão hidráulica força os pistões para fora, comprimindo as pastilhas junto aos discos, gerando calor e atrito (e em muitos casos um belo “apito”), fazendo o veículo parar.

Logo, a função do fluído de freio é transmitir com eficiência a energia do cilindro mestre até os pistões das pinças de freio. O líquido de freio é projetado para não ser compressível, eliminando assim perdas de energia durante o acionamento do sistema.

Contudo o fluído de freio é extremante sensível a contaminação por água, que se mistura facilmente ao fluído alterando as suas características. Por essa razão é dito que o fluído de freio é higroscópico, que absorve umidade. Quando a água se mistura ao fluído de freio o ponto de ebulição do mesmo é reduzido, fazendo com que, em caso de grande demanda dos freios, bolhas de ar surjam dentro do fluído.

E é justamente nas bolhas de ar que está o perigo, pois a capacidade de compressão do ar é muito maior do que a do fluído puro. Logo, a eficiência do fluído contaminado é muito menor do que a do fluído novo, pois boa parte da energia que seria utilizada na compressão dos pistões é desperdiçada na compressão de bolhas de ar. Além disso, a presença de água também irá atuar na corrosão interna de todos os componentes do sistema de freio.

Logo, é uma boa ideia manter seu fluído de freio em dia! Conforme o manual da Defender, o fluído deve ser trocado a cada 2 anos ou 40 mil quilômetros, o que ocorrer primeiro. Também existem no mercado “canetas” que medem a contaminação do fluído de freio por água, podendo dar uma ideia do estado geral do mesmo.

Na dúvida, troque seu fluído. Prevenir é melhor do que remediar.

Referências

Todos os procedimentos que veremos abaixo são baseados no manual de oficina da Defender e no seguinte vídeo do YouTube:

Materiais necessários
  • 1 litro de fluído de freio com a seguinte especificação: FMVSS 116 DOT 4 (com ponto de ebulição ≥ 260° C)
  • 0,5 metro de mangueira flexível transparente com 1/4 de polegada
  • 1 chave de boca 11 mm (normal e/ou do tipo estrela/poligonal aberta)
  • 1 garrafinha PET
  • 1 seringa grande
  • Flanelas
  • Luvas de borracha e óculos de proteção

Na garrafa PET, que deve estar limpa e seca por dentro, removi a tampa e fiz um furo com furadeira e broca para passar a mangueira flexível, assim como um outro pequeno furo para permitir a saída do ar. A mangueira deve encostar no fundo da garrafa, deixando uns 30 cm para fora a partir da tampa.

Materiais utilizados
Chave de boca normal (acima) e do tipo estrela/poligonal aberta (abaixo)
Trocando o fluído de freio (sozinho)

1 – Limpeza do reservatório e parafusos sangradores

Começamos pela limpeza do reservatório do fluído e dos parafusos sangradores, localizados em cada uma das 4 pinças de freio. Caso os parafusos estejam sem as tampinhas plásticas de proteção, utilize um arame fininho para remover sujeira e detritos que estejam acumulados no furo do sangrador. Seja criterioso e não tenha pressa, vai facilitar muito o trabalho posterior. A limpeza do reservatório busca impedir o ingresso de contaminantes no fluído novo, enquanto que a limpeza dos parafusos sangradores busca garantir o livre fluxo de fluído quando estes forem abertos.

Reservatório antes da limpeza
Reservatório após limpeza com um pouquinho de água, detergente e escova de dentes

 

2 – Remoção do fluído velho do reservatório

Começamos a troca do fluído de freio removendo o máximo deste diretamente do reservatório, utlizando para tanto uma seringa grande. Basta sugar o fluído velho e despejar numa garrafa para posterior descarte em local adequado.

Apenas observe para não remover todo o fluído do reservatório, visto que é necessário deixar alguns milímetros de fluído na base para garantir que nenhum ar ingresse no cilindro mestre. Após remover o fluído, complete o reservatório com fluído novo até a marca de “máximo” e feche a tampa.

 

3 – Sequência de sangria

Conforme a orientação de diversas fontes da internet, inclusive do vídeo, devemos fazer a troca do fluído começando pela roda mais afastada e terminando pela roda mais próxima do cilindro de freio.

 

4 – Sangrar

Começando pela roda mais afastada (traseira do lado do carona), posicionamos a chave 11 mm no parafuso sangrador, encaixamos a mangueirinha que esta conectada a garrafa PET (não esqueça de colocar um pouco de fluído no fundo da garrafa). A posição da garrafa e da mangueira deve ser atentamente observada para garantir que, após abrir o parafuso sangrador, o fluído tenha que ir para cima, pois assim se evita o ingresso de ar no sistema.

Antes de abrir cada um dos parafusos, eu apertei o pedal do freio para “pressurizar” um pouco o sistema. Então basta girar a chave para “quebrar” o aperto do parafuso. Algo como meia volta do parafuso irá liberar o fluído da pinça (não se preocupe, apenas alguns mililitros irão avançar pela mangueira). Observe atentamente a cor e aspecto do fluído liberado.

Vá até o pedal de freio e pressione o mesmo até o fundo, de modo consistente e contínuo. A cada 3 ou 4 “pisadas”, vá até a pinça que está sendo trabalhada e procure por sinais de vazamentos, conferindo se o fluído novo já está visível na mangueira transparente. Repita o processo até que fluído novo esteja visível na mangueira.

Quando houver certeza de que todo fluído velho foi eliminado daquela pinça, feche o parafuso sangrador. Mude a posição da garrafa PET para deixá-la mais baixa que a pinça e solte a mangueira transparente do parafuso sangrador (assim não vazará fluído).

Limpe quaisquer resquícios de fluído do parafuso e de seu entorno, volte no pedal de freio e pise com força nele. Volte na roda e verifique se não houve nenhum vazamento pelo parafuso. Se estiver tudo ok, vá até o reservatório e confira o nível do fluído, completando se necessário e fechando a tampa após fazê-lo. Caso seja verificado vazamento pelo parafuso, repita o procedimento nesta roda antes de ir para a próxima.

Repita o procedimento nas demais rodas, observando a sequência de trabalho.

Iniciando a troca do fluído. Repare que a mangueira encaixada no parafuso sangrador sobe antes de seguir em direção a garrafa. Assim não há ingresso de ar no sistema.
Detalhe para a cor e aspecto do fluído velho.
E após algumas pressionadas de pedal o fluído novo começa a sair pela mangueira.

 

5 – Testar o sistema

Após fazer a sangria de todas as rodas, ligue o carro e pressione o pedal de freio algumas vezes. Confira o reservatório de fluído, verificando o nível e quaisquer vazamentos de fluído. Se tudo estiver OK, verifique novamente os parafusos sangradores das 4 pinças de freio, garantindo que estão perfeitamente limpos e secos.

Então saia com o veículo para dar algumas voltas, preferencialmente em ruas vazias ou com pouco movimento para testar os freios em situações normais. Se tudo estiver OK, os freios deverão funcionar igual ou melhor do que funcionavam antes. Caso o pedal apresente curso maior ou sensação “esponjosa”, houve ingresso de ar no sistema, devendo o procedimento de sangria ser refeito em todas as rodas.

Monitore o fluído de freio por alguns dias após efetuar a troca, assim como eventuais vazamentos pelas pinças de freio. Seguro morreu de velho…

6 – Diferença entre fluído velho e novo

Fluído velho: aspecto opaco.
Fluído novo: translúcido.